Disponibilizo as fotografias que resultaram de uma pequeníssima aventura de desconstrução do real. Estas fotografias foram tiradas durante a aula de DCV, e este trabalho de pesquisa de elementos foi posteriormenete complementado com imagens disponívies na Internet.
As obras de Pablo Picasso têm uma anatomia dupla quer abstracta quer simbólica, na medida em que não são uma representação fiel da realidade e têm uma redução de detalhe visual ao mínimo. Esta abstracção e simplificação da realidade tem bastante importância para a compreensão da mensagem visual já que quanto mais cingidora for a sua representação, mais específica será a sua referência. Picasso ao modificar os eixos visuais e os ângulos dos objectos, conservava a informação realista mas de uma forma linear e simplista.
A análise da composição artística de Pablo Picasso pressupõe o conhecimento dos elementos básicos da Comunicação Visual, mais concretamente do Design. Os elementos básicos do Design são componentes que fazem parte de uma composição, isto é, constituem partes usadas para elaborar a composição ou obra final. Como elementos básicos cito o ponto, a linha, o contorno, a direcção, a tonalidade, a escala, a textura, a dimensão e o movimento.
O ponto é o elemento mais primário, embora seja a matéria de toda a informação visual e é utilizado pelo pintor para representar formas elementares e redutoras como por exemplos os olhos de um ser humano.
Ao observar as obras de Pablo Picasso torna-se fácil observar o predomínio de um dos elementos básicos do design: a linha recta. Através da linha o pintor tenta representar os objectos em três dimensões numa superfície plana, sugerindo movimento em torno deles. Aliás, em muitos quadros é visível o exagero das formas lineares, representando com alguma rectidão formas e corpos onde na realidade não é possível observar tais feições.
A linha descreve um contorno, articulando a complexidade do mesmo. Na obra de Picasso é observável, por exemplo, a rigidez dos rostos humanos delineados com linhas rectas. Esta percepção só é possível através das nossas próprias apreensões e experiências psicológicas que pré-definem a representação do rosto humano com contornos mais circulares do que quadrangulares ou triangulares.
Todos os contornos básicos expressam direcções visuais. Nos quadros de Pablo Picasso, a direcção horizontal e vertical é das mais exploradas pois constitui uma referência instituída pelo Homem na sua relação com o meio envolvente, obtendo uma certa estabilidade visual. Por outro lado, o pintor recorre em alguns casos à direcção diagonal como forma de realçar determinado objecto ou de transmitir uma mensagem de instabilidade, provocação.
Na tonalidade evidencia-se um forte jogo de luz e de sombra. A luz e a sombra esclarecem melhor as formas, permitindo criar um mundo dimensional. A perspectiva assume outra forma, a bidimensionalidade torna-se uma das principais características das suas obras da corrente cubista. E, conforme observa o designer Allen Hulbert (!977), “Ao recolocarem na pintura o plano bidimensional, os cubistas estabeleceram o design como principal elemento do processo criativo”.
A escala torna possível que todos os elementos visuais tenham capacidade para se modificarem e se definirem uns aos outros. Picasso usou muitas vezes o elemento escala para fazer avultar determinado pormenor. Muitas vezes, na representação de formas humanas, determinado elemento, como por exemplo um olho, tinha um tamanho desproporcional.
A textura é um elemento que serve, frequentemente, o sentido táctil. Mas na realidade, a textura pode ser reconhecida mediante o tacto ou mediante a visão, ou mediante ambos. Este elemento é muitas vezes utilizado por Picasso como um apontamento que realça determinado pormenor ou como padrão de fundo.
Como referido anteriormente, a bidimensionalidade constitui umas das principais características do cubismo, corrente seguida por Picasso. Tentavam encaixar várias dimensões de uma dada forma num mesmo plano, exigindo uma profunda compreensão do conjunto.
A sugestão de movimento está implícita em muitas pinturas de Picasso. As técnicas do uso da perspectiva e de luz e de sombra ou a textura e a tonalidade, são artefactos usados pelo pintor para sugerir ou criar a ilusão de movimento.
Segundo Dondis em “A Sintaxe Da Linguagem Visual”, todos estes elementos constituem uma forma fácil e directa de transmitir informação. São os ingredientes básicos que utilizamos para o desenvolvimento do pensamento e da comunicação visual, tendo uma linguagem que transpõe barreiras.
Recursos:
· http://www.digital-web.com/articles/elements_of_design/
· http://www.historiadaarte.com.br/cubismo.html
· http://www.esec-josefa-obidos.rcts.pt/cr/ha/seculo_20/cubismo.htm
· DONDIS, Donis A., “A Sintaxe da Linguagem Visual”








